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Sobrevivendo ao simples e complicado

21 ABR 2015
21 de Abril de 2015

Olhar o meu filho exalando a paixão e a loucura que sinto, percebendo que deixo nele a completude de uma alma alvinegra, reafirma o quão bem feita foi minha escolha.

Viver cada jogo com o corpo e a alma, não conter a alegria e nem as lágrimas e ver meu coração resistir a mais um jogo incrível dá tom e cor aos meus dias.

Sim meus amigos, sobrevivemos a semifinal do Campeonato Mineiro, que se encaixou no meio de duas semanas de jogos decisivos na Libertadores.

Era pra parecer simples, era a semi de um campeonato estadual, mas tinha o rival do outro lado, com eles a vantagem de dois empates e ainda o empate no cemitério do Horto.

Sobrevivemos ainda ao enredo de mais um clássico em Minas, aquele clássico que já foi das multidões. Saudosismo teimoso esse que me faz voltar à época áurea das arquibancadas de cimento, dos sinalizadores, papel higiênico, duas torcidas e uma festa linda e lamentar o que sobrou.

Hoje restou a novela anunciada cada vez que o Alvinegro das Alterosas tem que enfrentar o rival da capital. É o clássico da picuinha dos ingressos, dos tribunais, retrato de um temor, assassinato cruel do que já vivemos e morte lenta do pouco que sobrou da grande festa.

Daquilo que me alimenta e sustenta minhas convicções, um escudo, duas cores e três letras está entre o que há de mais forte.

Basta lembrar, olhar, vestir e vai ao chão qualquer coisa que seja menos importante.

Faço parte de uma multidão que funciona com o coração, o coração que sobrevive do amor, mas que em momentos de tensão de certo sai do corpo e se esconde para não entrar em colapso.

Sou daqueles que engrossam as estatísticas incompreensíveis do colocar por terra o impossível e zombar de previsões.

Longe do insosso, o tempero para isso são as dificuldades, a dúvida alheia, ao coração cabe somente ser e sentir e deixar o resto por conta do destino. Daí brincamos com a emoção, transformamos a certeza dos outros em passatempo e nos permitimos holofotes.

Involuntariamente e naturalmente, temos o destaque porque nos colocamos antes de quaisquer outros não com soberba, mas com a humildade de não esquecer nossa origem, nossa história, nossos mantras.

Sobrevivemos a mais um placar adverso porque vivemos de “ser” e fazemos calar por esse “ser” e não pelo que há de físico e material.

Escolhemos o que o tempo e a poeira não destroem o que se renova com cada pequeno atleticano que nasce, escolhemos o que é eterno, escolhemos o que vai além do corpo e é alma.

Mais do que estar em uma final, nos mantemos como tormenta dos incrédulos, infiéis e pedantes, porque nada incomoda mais do que aquilo que somos e representamos. Aqui é Galo e o oposto disso é só vontade de ser Galo.

Que venha a quarta feira! Que o importante seja continuar sendo Galo!

Saudações Alvinegras!

Leide Botelho

(@leidebotelho)

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